o dia das namoradas
Um convite de última hora e o lugar era cá da je. 13-3-15-W-1. Ainda tenho aqui o bilhete do Benfica-FC Nuremberga. Eis-me no Estádio da Luz, por detrás da nossa baliza, muitos metros acima, posso até dizer, sem exagerar, que para planar já faltou mais. E se a mim própria me designo na língua de Racine e de Rosseau, no que aos R concerne, não é para me armar ao pingarelho mas apenas por incontida vontade de dar um passo rumo ao multilinguismo - e, enfim, por uma pontinha de inveja desde que o destino me levou a um blogue em que os posts num dia são em alemão, no dia a seguir em português, e onde não há semana sem inglês, nem lua sem francês.
(Pingarelho, s.m. Pau de armar lousas (armadilhas).||Qualquer coisa pouco segura, prestes a cair e, p.ext., armadilha nestas condições.|| Armar ao pingarelho, usar de artifícios e rodeios para conseguir determinado fim.)
Suspeito eu, suspeita toda a gente, por ser o dia dos namorados havia mais mulheres do que é habitual. Os rapazes não se devem ter lembrado disso, se não teriam jogado melhor. Acho eu. O jogo foi bastante fraco. Eu olhava e pensava quando é que o jogo chega ao fim, quando é que a época chega ao fim, quer dizer, pensava e olhava já para a próxima pré-época: as contratações, os torneios, os estágios, os sorteios, até o novo equipamento, quer dizer, as pequenas vibrações a que nos vamos conformando. Depois um dos nossos rapazes - o nosso rapaz -, fez uma bela jogada, e um outro, recentemente nosso, alto e negro, chutou a bola e foi golo. O guarda-redes deu uma ajuda, é verdade, mas aposto que o rapaz alto e negro tinha a namorada entre a assistência e por isso, talvez mesmo só por isso, é que chutou. E ganhámos. O futebol é assim mesmo. Às vezes basta ter a namorada a assistir ao jogo para se ganhar.
Eu falo assim, leve, levemente, mas devo dizer que isto não é fácil, ver em campo papoilas saltitantes assim, sem jogo, sem geometria, sem aura, pelo menos para quem nasceu no ano da conquista da Taça Latina e aos 4 anos já era bicampeã europeia não é nada fácil. Ontem o Benfica obteve a sua centésima vitória em casa em jogos oficiais da uefa e isso devia encher-me de orgulho imenso em vez de queixas sobre o estado da arte. E quem disse que não faz?



2 comments:
embora eu goste de me sentir da cor da relva e rugir como um peugeot, acho que esta sua prosa devia vir na coluna da direita da capa do Record, que até ficava muitíssimo melhor do que os disparates do costume. bom dia, das namoradas
Não fui ao Estádio para não me irritar com a falta de vista. Mas obrigado por teres ido tu.
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